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Rotativo do cartão

Juros e IOF de um mês de rotativo, o parcelamento da fatura mês a mês com o teto de 100% da Lei 14.690/2023 e a comparação com um empréstimo pessoal.

Teto de juros e encargos (Lei 14.690/2023)
R$ 1.700,00

Você deixou R$ 1.700,00 sem pagar: é o valor original da dívida. Por lei, o banco não pode cobrar mais do que isso de juros e encargos, então a dívida para em R$ 3.400,00 (mais o IOF). À taxa do rotativo, os juros chegariam ao teto em 5 meses; mas o rotativo só dura um mês: na fatura seguinte vêm R$ 258,40 de juros e R$ 10,64 de IOF, e o saldo (R$ 1.969,04) vai para o parcelamento. Em 12 parcelas, os juros e encargos somam R$ 1.670,69, 98% do teto.

Dívida máxima, sem o IOFR$ 3.400,00
Juros do 1º mês no rotativoR$ 258,40

O que cada caminho custa a mais

Sobre R$ 1.700,00 que ficaram sem pagar, em 12 parcelas: juros, encargos e IOF.

Rotativo por um mês e depois o parcelamento (12×)R$ 1.726,34
Empréstimo pessoal para quitar a fatura (12×)R$ 841,77
Parcelamento: 12 × até R$ 285,53 = R$ 3.426,34. Empréstimo: 12 × R$ 211,81 = R$ 2.541,77. O empréstimo sai R$ 884,57 mais barato.
Pagar a fatura inteira custa zero. Se não dá, compare a parcela do parcelamento com a de um empréstimo pessoal pelo CET de cada proposta (o do empréstimo aqui: 120,3% ao ano) e veja se cabe no mês. Compras novas no cartão durante o parcelamento vão para a fatura normal, fora desta conta.

Passo a passo

Do vencimento até a última parcela.

MomentoO que aconteceValor
VencimentoFica sem pagar (valor original da dívida)R$ 1.700,00
30 dias depoisJuros do rotativo mais IOF de R$ 10,64: saldo na fatura seguinteR$ 1.969,04
ParcelamentoSaldo parcelado em 12×, com IOF de R$ 45,01 financiadoR$ 2.014,05
Juros e encargosRotativo mais parcelamento, abaixo do tetoR$ 1.670,69
Total pagoPelos R$ 1.700,00 que ficaram sem pagarR$ 3.426,34
Ver o parcelamento mês a mês
MêsParcelaJurosAmortizaçãoSaldo devedorJuros e encargos acumulados
1R$ 285,53R$ 187,31R$ 98,22R$ 1.915,83R$ 445,71 de R$ 1.700,00
2R$ 285,53R$ 178,17R$ 107,36R$ 1.808,47R$ 623,88 de R$ 1.700,00
3R$ 285,53R$ 168,19R$ 117,34R$ 1.691,13R$ 792,07 de R$ 1.700,00
4R$ 285,53R$ 157,28R$ 128,25R$ 1.562,88R$ 949,34 de R$ 1.700,00
5R$ 285,53R$ 145,35R$ 140,18R$ 1.422,70R$ 1.094,69 de R$ 1.700,00
6R$ 285,53R$ 132,31R$ 153,22R$ 1.269,48R$ 1.227,00 de R$ 1.700,00
7R$ 285,53R$ 118,06R$ 167,47R$ 1.102,02R$ 1.345,06 de R$ 1.700,00
8R$ 285,53R$ 102,49R$ 183,04R$ 918,97R$ 1.447,55 de R$ 1.700,00
9R$ 285,53R$ 85,46R$ 200,06R$ 718,91R$ 1.533,02 de R$ 1.700,00
10R$ 285,53R$ 66,86R$ 218,67R$ 500,24R$ 1.599,87 de R$ 1.700,00
11R$ 285,53R$ 46,52R$ 239,01R$ 261,23R$ 1.646,40 de R$ 1.700,00
12R$ 285,53R$ 24,29R$ 261,23R$ 0,00R$ 1.670,69 de R$ 1.700,00
Os juros acumulados já contam o mês de rotativo. No mês marcado como teto, a lei corta os juros que passariam de R$ 1.700,00; dali em diante a parcela só abate a dívida.
Como esta conta é feita

Valor original da dívida: a fatura menos o que você pagou no vencimento. Rotativo: esse saldo fica 30 dias no crédito rotativo, até a fatura seguinte (Resolução CMN nº 4.549/2017, art. 1º), com juros à taxa do rotativo e o IOF da pessoa física (0,38% mais 0,0082% por dia; Decreto nº 6.306/2007). Depois disso o banco tem de oferecer o parcelamento em condições melhores que as do rotativo (art. 2º).

Parcelamento da fatura: o saldo que sobrou do rotativo (dívida, juros e IOF) é parcelado pela tabela Price, com o IOF do parcelamento financiado, como um empréstimo sem tarifa. Teto da Lei 14.690/2023 (art. 28, § 1º, regulamentado pela Resolução CMN nº 5.112/2023): o total de juros e encargos cobrados no rotativo e no parcelamento não pode passar de 100% do valor original, e o teto conta desde o primeiro dia do rotativo. Aqui, quando os juros acumulados chegam ao teto, as parcelas seguintes só abatem a dívida (ficam menores). Encargos são multa, juros de atraso e tarifas; o IOF é tributo e fica fora do teto. Ninguém atrasa na simulação, então multa e mora não entram.

Empréstimo pessoal: pegar o valor original emprestado no vencimento e pagar a fatura inteira, pela mesma conta da calculadora de empréstimo (Price, IOF financiado, sem tarifa, no mesmo número de parcelas). O empréstimo não tem o teto da lei. As taxas sugeridas são as médias do Banco Central para a pessoa física (pessoa física, agosto de 2026); a taxa certa é a da sua fatura e a da proposta do banco.

Ficam de fora compras novas na fatura seguinte, a anuidade, o seguro, a multa e os juros de atraso, a renegociação e a portabilidade da dívida. Os meses têm 30 dias; o banco conta os dias do calendário, então o IOF pode diferir em centavos. Taxas de referência conferidas até 31/12/2026.

Entenda com exemplos

Quem paga só uma parte da fatura do cartão entra no crédito rotativo, o crédito mais caro do país: a média do Banco Central passa de 440% ao ano. Desde 2017 ele só pode durar até a fatura seguinte; depois o banco tem de oferecer o parcelamento do saldo com juros menores. E desde janeiro de 2024 há um teto: a Lei 14.690/2023 diz que os juros e encargos do rotativo e do parcelamento, somados, não podem passar do valor original da dívida, então quem deixou R$ 1.000 sem pagar nunca deve mais de R$ 2.000 por isso (mais o IOF, que é imposto). A calculadora mostra os juros e o IOF do mês de rotativo, o parcelamento mês a mês com o teto aplicado e, ao lado, quanto custaria pegar um empréstimo pessoal para quitar a fatura.

Como usar

  1. Informe o total da fatura e quanto você vai pagar no vencimento (o pagamento mínimo ou o que der). A diferença é o valor original da dívida, que entra no rotativo.
  2. Digite a taxa do rotativo que está na sua fatura e a taxa e o número de parcelas que o banco oferece para parcelar o saldo. As sugestões são as médias do Banco Central; a sua fatura é o que vale.
  3. Se quiser comparar, informe a taxa de um empréstimo pessoal: a calculadora mostra o mesmo valor emprestado no mesmo número de parcelas, com IOF, pela conta da calculadora de empréstimo.
Exemplo 1

Fatura de R$ 1.000, pagou R$ 150: um mês de rotativo a 15% e 12 parcelas a 9,5%

Valor original: R$ 850,00. Rotativo por 30 dias: R$ 127,50 de juros e R$ 5,32 de IOF; a fatura seguinte vem com R$ 982,82. Parcelamento em 12 × R$ 143,95: R$ 1.727,43 no total. Juros e encargos: R$ 849,59, de um teto de R$ 850,00. Empréstimo pessoal a 6% ao mês, 12 × R$ 103,61: R$ 1.243,34.

Mesmo em 12 parcelas e sem atraso, os juros do rotativo mais os do parcelamento chegam a R$ 849,59: a 41 centavos do teto. Quem ficou R$ 850 devendo paga R$ 1.727,43. O empréstimo pessoal, à taxa média, custaria R$ 484 a menos. A diferença está na taxa: 9,5% ao mês do parcelamento contra 6% do empréstimo.

Exemplo 2

Fatura de R$ 2.500 sem pagar nada: rotativo a 15,2% e 24 parcelas a 9,3%

Valor original: R$ 2.500,00; teto de R$ 2.500,00 de juros e encargos. Rotativo: R$ 380,00 de juros. Em 24 parcelas, os juros do rotativo e do parcelamento somariam R$ 4.955,92; o teto corta no 9º mês e eles param em R$ 2.500,00. Total pago: R$ 5.107,72 (R$ 5.000 mais o IOF). Empréstimo pessoal a 5% ao mês em 24 parcelas: R$ 4.479,29.

Sem a lei, 24 parcelas a 9,3% ao mês quase triplicariam a dívida. Com o teto, a partir do 9º mês as parcelas só abatem o saldo e ficam menores. Ainda assim a dívida dobra: R$ 2.500 viram R$ 5.000 mais o IOF. O empréstimo, mesmo sem teto, custa menos porque a taxa é menor.

Exemplo 3

Fatura de R$ 1.000 sem pagar nada, parcelada em 60 vezes a 9,5%

Parcelamento em 60 × R$ 114,16 enquanto há juros; sem o teto, os juros do rotativo e do parcelamento somariam R$ 5.803,13. O teto chega no 8º mês e o total pago fica em R$ 2.046,50. Um empréstimo pessoal a 6% ao mês em 60 parcelas custaria R$ 3.840,60.

Em prazos longos o teto manda: tanto faz parcelar em 24 ou 60 vezes, a dívida para em duas vezes o valor original mais o IOF. Repare que aqui o empréstimo de 60 meses sai mais caro que o parcelamento, porque o teto da lei vale só para o rotativo e o parcelamento da fatura, não para o empréstimo. Comparar os dois pelo total, e não só pela parcela, é o que evita a surpresa.

Perguntas frequentes

O que é o rotativo do cartão e por quanto tempo ele dura?

É o crédito que o banco dá automaticamente quando você paga a fatura por um valor entre o mínimo e o total: o que faltou vira dívida com os juros do rotativo, que estão na fatura. Desde abril de 2017 o saldo só pode ficar no rotativo até o vencimento da fatura seguinte (Resolução CMN 4.549/2017, art. 1º). Se na fatura seguinte você não quitar o saldo, o banco tem de oferecer o parcelamento em condições melhores que as do rotativo, inclusive nos juros (art. 2º). Na prática o parcelamento costuma vir pronto na fatura.

Qual é o teto de 100% da Lei 14.690/2023?

O art. 28 da Lei 14.690/2023 mandou os bancos propor limites para os juros do cartão em 90 dias; como não houve acordo, desde 3 de janeiro de 2024 vale a regra do § 1º: o total cobrado de juros e encargos financeiros no rotativo e no parcelamento da fatura não pode passar do valor original da dívida. A Resolução CMN 5.112/2023 detalhou: valor original é o saldo que entrou no rotativo; encargos são multa, juros de atraso, tarifas e comissões; quando o rotativo vira parcelamento, a conta do teto começa no primeiro dia do rotativo; e a fatura deve mostrar o valor original e quanto já foi cobrado. Em outras palavras, uma dívida de R$ 1.000 nunca passa de R$ 2.000 em juros e encargos.

O IOF entra no teto?

Não. O teto vale para juros e encargos financeiros, e a Resolução 5.112 define encargos como multa, juros de mora, tarifas e comissões. O IOF é um tributo federal (Decreto 6.306/2007): 0,38% sobre o valor mais 0,0082% por dia, até 365 dias. Por isso a calculadora mostra a dívida máxima como duas vezes o valor original mais o IOF, e separa o IOF nas linhas.

Vale mais a pena parcelar a fatura ou pegar um empréstimo pessoal?

Depende das duas taxas e do prazo. O parcelamento da fatura tem o teto da lei; o empréstimo pessoal não tem, mas costuma ter taxa bem menor (a média do Banco Central do crédito pessoal não consignado é cerca de metade da do parcelamento). Em prazos curtos o empréstimo mais barato ganha; em prazos longos o teto pode fazer o parcelamento custar menos. Compare o total pago e o CET das duas propostas, não só a parcela, e lembre que quitar a fatura com um empréstimo libera o limite do cartão, o que ajuda quem precisa dele e atrapalha quem vai gastar de novo.

O que acontece se eu pagar só o mínimo todo mês?

No primeiro mês você entra no rotativo e paga os juros mais altos do mercado sobre o que faltou. No segundo mês o saldo tem de ir para o parcelamento (ou você quita). Novas compras continuam entrando na fatura normal, então a dívida pode crescer por outro caminho: a parcela do parcelamento mais as compras do mês. O pagamento mínimo é definido por cada banco (o Banco Central deixou de fixar o percentual em 2017): confira na fatura.

Posso renegociar ou levar a dívida para outro banco?

Sim. A Resolução 5.112 garante a renegociação a qualquer momento, com o mesmo teto descontando o que já foi pago de juros (art. 2º-C), e desde julho de 2024 a dívida do cartão pode ser portada para outra instituição, que precisa oferecer uma operação só, sem tarifa de ressarcimento, e o banco de origem pode fazer uma contraproposta (Resolução CMN 5.057/2022, alterada pela 5.112). Peça as duas propostas por escrito e compare o CET.

O que considerar ao usar o resultado

Simulação com os valores que você digitou; não é previsão nem recomendação, nem uma oferta de crédito. O teto de 100% é o da Lei 14.690/2023 (art. 28, § 1º) e da Resolução CMN 5.112/2023, para operações a partir de 3/1/2024; o IOF fica fora dele. Depois que os juros chegam ao teto, a calculadora faz as parcelas só abaterem a dívida; cada banco pode distribuir o corte de outro jeito, mas o total cobrado não pode passar do teto. As taxas sugeridas são as médias do Banco Central de agosto de 2026 (conferidas até 31/12/2026): use as da sua fatura. Ficam de fora compras novas, anuidade, seguros, multa e juros de atraso (que também gastam o teto), renegociação e portabilidade. Os meses têm 30 dias; o banco conta os dias do calendário. Confira na fatura o valor original da dívida e quanto já foi cobrado: desde 2024 ela tem de mostrar os dois.

Responsável pelo projeto: Tiago · Veja a metodologia, as fontes e os limites dos cálculos.

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